Há momentos em que a vida nos faz parar. O tempo parece andar diferente quando alguém que amamos precisa de um hospital. A preocupação ocupa espaço, o coração fica apertado e cada notícia é recebida com uma mistura de medo e esperança.
Foi assim nos dias em que minha mãe precisou ficar internada no Hospital João Lyra Filho, em Atalaia.
Chegamos levando a preocupação de uma família e saímos levando, além da gratidão pela recuperação dela, uma lembrança bonita de pessoas que entenderam que cuidar de alguém vai muito além de exercer uma profissão.
Por isso, escrevo hoje não para falar da doença, mas para falar de cuidado.
Quero agradecer aos médicos, pela atenção, pela responsabilidade e pelo acompanhamento. À equipe de enfermagem, que esteve presente nos momentos mais delicados, com paciência, dedicação e aquele cuidado que muitas vezes aparece em pequenos gestos.
Porque, dentro de um hospital, uma palavra dita com calma pode tranquilizar. Um olhar atento pode transmitir segurança. Uma mão que ajuda pode fazer diferença. E uma pergunta simples — “está tudo bem?” — pode significar muito para quem está ali, fragilizado e com o coração cheio de incertezas.
Também quero agradecer aos profissionais da limpeza, que cuidam diariamente para que o ambiente esteja organizado e acolhedor; à equipe administrativa, que muitas vezes trabalha longe dos olhos de quem está sendo atendido, mas é essencial para que tudo funcione; às assistentes sociais, pela atenção e pelo acolhimento; e a todos os profissionais que, de alguma maneira, fizeram parte dos dias em que minha mãe esteve ali.
Nem sempre sabemos o nome de quem nos atende. Às vezes, não conseguimos sequer agradecer na hora. Mas guardamos os gestos.
E alguns gestos permanecem.
Quando temos alguém que amamos dentro de um hospital, aprendemos a olhar para aquela instituição de outra maneira. Deixamos de enxergar apenas paredes, corredores, leitos, medicamentos e procedimentos.
Passamos a enxergar pessoas cuidando de pessoas.
Foi isso que encontramos no Hospital João Lyra Filho.
Encontramos profissionais cumprindo suas funções, sim, mas também encontramos humanidade. E isso merece ser reconhecido.
Minha mãe recebeu atendimento. Nós, como família, recebemos acolhimento. E, em momentos de fragilidade, acolher também é uma forma de cuidar.
Talvez seja por isso que algumas pessoas passam pela nossa vida por poucos dias e, ainda assim, deixam uma lembrança que permanece por muito tempo.
Não sei o nome de todos aqueles que cuidaram da minha mãe. Mas sei que cada um, à sua maneira, fez parte de uma história que terminou com um sentimento que quero deixar registrado: gratidão.
Em nome da minha mãe e de toda a nossa família, o nosso muito obrigada a todos que fazem o Hospital João Lyra Filho, em Atalaia, acontecer todos os dias.
Aos médicos, enfermeiros, técnicos, profissionais da limpeza, equipe administrativa, as assistentes sociais e a todos os demais trabalhadores: recebam o nosso reconhecimento e o nosso carinho.
Porque cuidar de alguém é mais do que cumprir uma profissão.
É oferecer, muitas vezes sem perceber, um pouco de tranquilidade a quem está com o coração aflito.
E, quando a gente recebe esse cuidado justamente nos dias em que mais precisa, ele nunca é esquecido.
Duse Leite é funcionária pública e jornalista

