NOITE VAZIA


Em uma noite de lua cheia, mesmo na calmaria fazia o vento balançar as palhas dos coqueiros, que ritmados se contorciam pra lá e pra cá. Na varanda da casa de praia a moça com sua taça de vinho na mão, se deliciava aos goles moderados assistindo tudo calada, apenas ouvia uma linda canção baixinho que a fazia viajar sem sair do lugar. Seus pensamentos ferviam buscando frestas e que pudesse rever amores perdidos e sonhos desfeitos, mesmo acompanhada por outras pessoas queriam, bebiam, brincavam, cantavam mesmo baixinho a musica que tocava, o espaço lhe incomodava, nada preenchia, faltava algo ou alguém que a fizesse sorrir, socializar e também poder compartilhar comesse seu vazio. Sua história mesmo em alguns momentos reveladas a distancia seguia de forma mesquinha, que chegava a senti irritada quando não era compreendida. Sua incerteza abrasiva tornava intolerante em certas circunstancias seu linguajar suave para muitos, soava como um deboche desleixado. Esse seu incomodar foi fluindo de tal forma que os demais acompanhantes sentiram que não era legal permanecer dividindo o mesmo espaço e, foram aos poucos distanciando e despedindo da moça que veio a contemplar o alvorecer, mesmo permanecido com os seus olhos vazios.

 

Valter Lima.

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