A mesma lua


Fecho os olhos e penso que essa mesma lua que vejo é também a sua. A brisa que passeia pelo meu rosto, desalinhando os fios do meu cabelo, talvez seja a mesma que, em algum momento da noite, encontre você. Gosto de acreditar que o vento sabe guardar segredos e que, sem fazer perguntas, leva um pouco de mim por onde passa.

É curioso como a natureza desconhece as distâncias que a vida impõe. A lua não escolhe a quem iluminar. O vento não pede licença para seguir seu caminho. A noite abraça igualmente quem espera e quem é esperado.

Então paro. Respiro devagar. Fecho os olhos e deixo que a memória caminhe livre. Ela me conduz por dias que permanecem vivos dentro de mim. Vejo nossos risos, as conversas sem pressa, os silêncios que nunca precisaram de explicação. Descubro, mais uma vez, que a felicidade sempre morou nas coisas simples. Nos instantes que pareciam comuns, mas que o coração transformou em eternos.

A saudade também mudou com o tempo. Já não chega como uma tempestade. Vem silenciosa, senta-se ao meu lado e me faz companhia. Não para ferir, mas para lembrar que alguns sentimentos continuam florescendo mesmo quando não podem ser vividos na rotina de todos os dias.

Às vezes me pergunto se você também olha para a lua. Se interrompe seus pensamentos por alguns segundos para contemplar esse mesmo céu. Gosto de imaginar que sim. Não porque a lua tenha algum poder especial, mas porque ela nos recorda que, apesar da distância, continuamos debaixo da mesma imensidão.

Foi então que compreendi uma verdade que me trouxe paz.

A distância mede caminhos. Nunca sentimentos.

Ela pode adiar um abraço, mas não impede o afeto de permanecer. Pode alongar os dias, mas não diminui aquilo que é verdadeiro. Há sentimentos que aprendem a esperar sem perder a ternura, porque sabem que o tempo não é um inimigo, apenas um companheiro da esperança.

Esperar não é ficar parado. É seguir vivendo enquanto o coração preserva um lugar para o reencontro. É aprender que o amor também amadurece quando enfrenta o silêncio, a ausência e os dias que parecem não passar.

Por isso, todas as noites continuo olhando para a mesma lua.

Não para diminuir a saudade.

Olho para ela porque me lembra que, em algum momento dessa mesma noite, seus olhos talvez façam o mesmo caminho que os meus.

E gosto de pensar que, por alguns instantes, estaremos unidos pelo mesmo brilho, pela mesma luz, pelo mesmo céu.

Talvez seja esse o maior milagre do amor: descobrir que ele não precisa vencer a distância para continuar presente.

Basta existir.

Porque há encontros que acontecem muito antes do abraço.

Duse Leite é funcionária pública e jornalista

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