Diploma e os Caminhos


Foto: Arquivo pessoal

Há pessoas que escolhem uma profissão. Outras são escolhidas por ela. Comigo, o jornalismo foi chegando devagar, como quem bate à porta de uma casa conhecida e espera pacientemente que alguém abra.

Desde menina, eu gostava das palavras. Enquanto muitas crianças sonhavam apenas com brinquedos, eu me encantava com cadernos, redações e tudo aquilo que pudesse ser transformado em texto. Gostava das aulas de português, das histórias e das frases bem construídas. As palavras sempre me pareceram vivas.

Em algum momento, pensei em seguir outro caminho. Pratiquei natação, joguei voleibol e a Educação Física chegou a ocupar meus pensamentos. Mas havia algo que sempre me chamava de volta: a escrita.

Talvez porque eu tenha crescido dentro dela.

Meu pai era jornalista. E jornalista dos bons, daqueles que escreviam com inteligência, humor e profundidade. Com ele aprendi que uma crônica pode fazer rir e pensar ao mesmo tempo, que uma crítica exige responsabilidade e que as palavras carregam consequências.

Quando entrei no curso de Jornalismo no CESMAC, meu pai vibrava junto comigo. Eu, que havia passado muito tempo afastada dos estudos, às vezes chegava em casa insegura diante de um trabalho ou de uma disciplina.
— Vá para um cantinho, minha filha. Leia com calma. Você vai entender.

Era sempre assim. A confiança dele chegava antes da minha.

Mas a vida, por vezes, interrompe capítulos sem pedir licença. Meu pai faleceu e, junto com a dor, veio o desânimo. O curso foi ficando para depois.

Algum tempo mais tarde, decidi voltar. O chamado continuava existindo. Fui para a Unit. Estudava com dedicação, organização e disciplina. E então veio a pandemia, suspendendo planos e adiando sonhos.

Mais uma vez, precisei parar.

Até que um dia uma propaganda apareceu diante dos meus olhos e despertou novamente aquilo que nunca havia adormecido completamente. Decidi retornar. Fui para a Estácio.

E fui da maneira que sempre fui: estudiosa, comprometida e determinada. Vieram as pesquisas, os trabalhos, as apresentações, as noites de estudo e as notas que sempre procurei conquistar com esforço e responsabilidade.

Hoje, finalmente, o diploma está em minhas mãos.

Mas nenhum diploma é construído sozinho.

Meu coração se volta, em primeiro lugar, para minha mãe, que me apoiou em cada etapa dessa caminhada. Às minhas filhas, que sempre me incentivaram e acreditaram em mim, ao meu companheiro que esteve ao meu lado me ajudando, mesmo nos momentos em que eu mesma duvidei.

Em todos os caminhos da vida, existem pessoas que caminham ao nosso lado, oferecendo força, companhia, compreensão e apoio. Compartilhar sonhos é também dividir desafios, angústias e esperanças.

Agradeço igualmente aos professores que me acompanharam nessa trajetória: Socorro Lamenha, Jorge Vieira, Cláudio Jorge, Beto Macário, Francisca, Carol Acioli, Roberta Amorim,

Cristina Brito, Raquel Fiúza, Luciana, Sérgio, Luzan, Carlos André, Marcos Toledo, Danielle Cândido, Janaína, Léo e a todos os demais mestres que fizeram parte da minha formação.

Cada ensinamento deixou uma marca.

Cada correção de um texto.

Cada observação em um trabalho.

Cada orientação durante uma apresentação.

Cada chamada de atenção.

Cada exigência por algo melhor.

Naquele momento, algumas cobranças podiam parecer difíceis, mas hoje compreendo que elas também foram gestos de cuidado e de compromisso com a nossa formação.

Ao olhar para trás, percebo que o jornalismo nunca foi apenas um curso universitário. Foi uma vocação.

Tudo o que escrevo passa pela pesquisa, pela reflexão e pela responsabilidade. Seja em uma crônica, em um texto opinativo ou em uma reportagem, existe em mim a necessidade de compreender antes de escrever.

Hoje, ao receber meu diploma, não sinto que estou encerrando uma caminhada.

Sinto que estou confirmando aquilo que a menina apaixonada pelas palavras já sabia há muitos anos.

Algumas pessoas se formam em uma profissão.

Outras apenas recebem o diploma daquilo que sempre foram.

E eu, depois de tantos caminhos, pausas, perdas, recomeços, lágrimas, incentivos e perseverança, posso finalmente dizer:

Sou jornalista.

Duse Leite é funcionária pública e jornalista

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