Durante décadas, a menopausa foi assunto de mulher. Eram elas que enfrentavam os calores repentinos, as noites mal dormidas, as mudanças de humor e a descoberta, nem sempre amigável, de que o tempo havia resolvido mudar algumas regras do jogo.
Os homens assistiam a tudo de longe, com um certo ar de superioridade biológica, como quem pensa: “Ainda bem que isso não acontece comigo.”
Acontece.
Só que de outro jeito.
O nome é menos conhecido, os sintomas são mais discretos, mas a verdade é que o envelhecimento também bate à porta masculina. A disposição já não é a mesma, o sono muda, a energia diminui, a barriga cresce sem pedir licença e aquela confiança de rapaz invencível começa a receber algumas notificações da realidade.
Mas há uma diferença fundamental.
A mulher fala da menopausa.
O homem finge que não percebe.
Aliás, se existe uma coisa que homem faz com maestria é fingir que não está envelhecendo.
Eu me lembro perfeitamente da época em que o Viagra virou assunto obrigatório em qualquer roda de conversa mais reservada. Parecia que haviam descoberto a fórmula da juventude eterna em um comprimido azul.
E o mais curioso é que muitos dos usuários nem eram homens com grandes dificuldades. Eram maridos ativos, saudáveis, alguns até exageradamente ativos. Conheci histórias de homens que mantinham uma vida amorosa intensa, mas carregavam um medo quase infantil de enfrentar uma única possibilidade: a famosa brochada.
A palavra, por si só, parecia capaz de provocar mais pânico do que um extrato bancário no fim do mês.
Havia quem escondesse caixas e mais caixas dos comprimidos, como se estivesse guardando ouro em barras. Outros tratavam o assunto com o mesmo sigilo de documentos confidenciais.
Tudo para não admitir uma verdade simples: ninguém escapa do tempo.
E é justamente nesse ponto que entra a indústria da juventude.
Se para as mulheres existem cremes capazes de prometer uma pele de vinte anos em quinze dias, para os homens surgem suplementos, hormônios, vitaminas, fórmulas milagrosas e anúncios que praticamente garantem a volta dos tempos de galã.
O mercado descobriu que o medo de envelhecer não tem sexo.
Mudam apenas as embalagens.
E aí começam cenas que dariam uma excelente coleção de fotografias.
Porque convenhamos: mulher pintando o cabelo parece a coisa mais natural do mundo. Ninguém estranha. Faz parte da rotina.
Mas quando um homem resolve enfrentar os cabelos brancos, a situação ganha contornos especiais.
De repente surge aquele senhor de sessenta e tantos anos com os cabelos tão pretos, mas tão pretos, que nem a adolescência foi capaz de produzir aquela tonalidade. O cabelo parece ter sido mergulhado num balde de tinta automotiva.
A barba, que até a semana passada exibia respeitáveis fios brancos, reaparece misteriosamente uniforme e escura, como se a natureza tivesse decidido voltar atrás.
E então ele passa.
Peito estufado.
Barriga recolhida.
Passo ligeiramente cadenciado.
Um assobio escapando sem querer.
Um perfume que chega três segundos antes do dono.
E uma expressão que diz claramente:
— Ainda estou no mercado.
O mais engraçado é que ninguém está enganando ninguém.
Nem ele.
Nem os outros.
Mas talvez também não seja esse o objetivo.
Talvez seja apenas uma forma de conversar com o espelho e dizer:
— Ainda estou aqui.
Porque a verdade é que envelhecer assusta homens e mulheres.
A diferença é que elas costumam falar sobre isso. Eles preferem esconder os comprimidos no armário, as tintas no banheiro e as inseguranças atrás de uma piada.
No fim das contas, a menopausa feminina e a masculina têm algo em comum: ambas lembram que o corpo muda, que o tempo passa e que a juventude não é um endereço permanente.
Mas talvez exista uma notícia melhor do que qualquer promessa da indústria da beleza.
Envelhecer não é uma doença.
É um privilégio.
E, olhando bem, há algo de profundamente cômico nessa corrida contra o calendário.
Passamos a juventude inteira querendo parecer adultos.
Depois passamos a maturidade inteira tentando parecer jovens.
Enquanto isso, o espelho observa tudo em silêncio.
E continua sendo o único que nunca acreditou em propaganda de creme, de hormônio, de tintura ou de comprimido milagroso.
Duse Leite é funcionária pública e jornalista

