A política não é só aquilo que se vê na televisão, nos discursos bonitos ou nas faixas espalhadas pela cidade. A política está aqui, no dia a dia, no asfalto que falta, na saúde que não chega e na esperança que vai minguando a cada eleição.
É triste ver como a cidade fica bela só de quatro em quatro anos. De repente, pintam muros, aparecem obras inacabadas e os sorrisos ficam largos, tudo para convencer o povo que tudo vai mudar. Mas quando a festa acaba, quando os aplausos silenciam e os votos são contados, a realidade cruel volta a se mostrar: o descaso continua, os bolsos de alguns enchem enquanto a maioria continua na mesma luta diária.
A política aqui, infelizmente, muitas vezes é feita de promessas que viram vento. É o jogo de interesses que finge olhar para o povo, mas que na verdade só olha para o próprio umbigo. E o pior é ver a gente que sofre, que trabalha honestamente, tendo que engolir o desgosto de ver a cidade sendo gerida por quem muitas vezes não entende — ou não quer entender — a nossa dor.
Mas a verdade é uma só: a política somos nós. Ela é feita da nossa voz, da nossa cobrança e da nossa forma de ver o mundo. Não podemos deixar que transformem o nosso direito de viver dignamente em apenas um número numa urna ou em moeda de troca.
Enquanto houver rua esburacada, gente esperando atendimento e sonhos sendo adiados, a política continuará sendo, antes de tudo, um grande desafio para quem realmente ama essa cidade e quer vê-la crescer, não só no papel, mas na vida de cada cidadão.
* Duse Leite
Funcionária pública e Jornalista

