É inegável que o Brasil, e especialmente Alagoas, está mudando. A cada dia que passa, a população da terceira idade cresce cada vez mais. Os dados mostram que o número de pessoas com mais experiência está aumentando, a vida está se tornando mais longa, e essa parcela da sociedade já representa uma grande parte da nossa realidade.
Mas, infelizmente, parece que o mundo ainda não se preparou o suficiente para receber essa gente com o carinho e a estrutura que merecem.
Existem necessidades e desafios que são próprios dessa fase da vida. São as limitações físicas, os cuidados constantes com a saúde, as dores que aparecem, a visão e a audição que já não respondem como antes. E mesmo sendo uma população tão numerosa, ainda existe uma enorme carência de coisas básicas: falta acessibilidade nas ruas, falta conforto nos espaços públicos e, principalmente, falta de opções de lazer e atividades pensadas especialmente para eles. Muitas vezes, o ambiente parece ser feito apenas para os jovens, deixando os mais velhos à margem, com dificuldade para se locomover e participar.
Além das dificuldades do dia a dia, existe também uma carência muito grande afetiva. A solidão é um problema frequente, assim como a sensação de esquecimento. Muitos vivem sozinhos, com pouco contato social, e sentem falta de atenção, de conversa e de carinho. Há uma triste realidade de serem vistos como quem “já cumpriu sua missão”, ignorando toda a sabedoria, história e amor que ainda têm para oferecer.
É preciso olhar com mais cuidado para essa população. Eles existem, são muitos, têm necessidades específicas e merecem muito mais do que apenas respeito: merecem compreensão, inclusão e qualidade de vida.
* Duse Leite é jornalista

