
{"id":40303,"date":"2026-10-29T10:31:57","date_gmt":"2026-10-29T13:31:57","guid":{"rendered":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/?p=40303"},"modified":"2026-10-29T10:33:13","modified_gmt":"2026-10-29T13:33:13","slug":"o-voto-termina-na-urna-a-responsabilidade-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/o-voto-termina-na-urna-a-responsabilidade-nao\/","title":{"rendered":"O voto termina na urna. A responsabilidade, n\u00e3o."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Entre a escolha que fizemos e o pa\u00eds que queremos, existe uma responsabilidade que n\u00e3o pode ser terceirizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passada a elei\u00e7\u00e3o, baixam as bandeiras, guardam-se os discursos e, aos poucos, as discuss\u00f5es pol\u00edticas v\u00e3o perdendo o calor. Pelo menos at\u00e9 aparecer uma nova pol\u00eamica nas redes sociais, porque brasileiro pode at\u00e9 esquecer onde deixou os \u00f3culos, mas dificilmente esquece uma discuss\u00e3o pol\u00edtica da qual participou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, com o presidente escolhido, \u00e9 hora de pensar no que vem pela frente. Afinal, eleger algu\u00e9m n\u00e3o significa apenas depositar esperan\u00e7a numa urna. Significa tamb\u00e9m assumir o compromisso de acompanhar o que ser\u00e1 feito com o nosso voto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E aqui come\u00e7a a parte mais interessante \u2014 e, para alguns, mais inc\u00f4moda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos r\u00e1pidos para cobrar quando o governo \u00e9 do outro. Apontamos falhas, denunciamos injusti\u00e7as e exigimos provid\u00eancias. Mas ser\u00e1 que mantemos a mesma disposi\u00e7\u00e3o quando os erros v\u00eam de quem escolhemos? Ou ser\u00e1 que, dependendo do lado, at\u00e9 o absurdo ganha uma explica\u00e7\u00e3o convincente?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pol\u00edtica tem dessas coisas. Para alguns, o pol\u00edtico advers\u00e1rio nunca acerta; para outros, o escolhido nunca erra. E, no meio dessa disputa de certezas, o pa\u00eds continua esperando que algu\u00e9m resolva os problemas que afetam a vida real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque o pre\u00e7o dos alimentos n\u00e3o pergunta em quem votamos. A fila do hospital n\u00e3o quer saber qual bandeira levantamos. A falta de emprego n\u00e3o distingue eleitores por prefer\u00eancia partid\u00e1ria. Os problemas chegam para todos, enquanto as solu\u00e7\u00f5es continuam sendo cobradas de quem governa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 por isso que a democracia precisa de mais do que eleitores apaixonados. Precisa de cidad\u00e3os atentos. Gente capaz de reconhecer um acerto sem transformar governante em her\u00f3i e de apontar um erro sem achar que est\u00e1 traindo a pr\u00f3pria escolha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Votar n\u00e3o \u00e9 casar com pol\u00edtico, muito menos aceitar uma rela\u00e7\u00e3o em que s\u00f3 um lado tem direito de falar. O voto n\u00e3o nos obriga a concordar com tudo, a defender o indefens\u00e1vel ou a fechar os olhos para aquilo que precisa mudar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2027, teremos um novo cap\u00edtulo da nossa hist\u00f3ria pol\u00edtica. O presidente ter\u00e1 suas responsabilidades, assim como o Congresso, os demais representantes eleitos e as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Mas n\u00f3s tamb\u00e9m teremos a nossa: acompanhar, questionar, participar e n\u00e3o permitir que a cidadania se resuma a escolher um nome a cada quatro anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E h\u00e1 outra responsabilidade que merece aten\u00e7\u00e3o: aprender a conviver com quem votou diferente. N\u00e3o precisamos pensar igual para respeitar uns aos outros. A diverg\u00eancia faz parte da democracia; transformar o vizinho em inimigo por causa de um voto \u00e9 que deveria nos preocupar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim das contas, escolher um presidente \u00e9 uma decis\u00e3o importante. Mas o futuro de um pa\u00eds n\u00e3o se constr\u00f3i apenas com a vit\u00f3ria de um candidato. Constr\u00f3i-se com trabalho, participa\u00e7\u00e3o, fiscaliza\u00e7\u00e3o e compromisso com aquilo que \u00e9 coletivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, que ningu\u00e9m confunda esperan\u00e7a com autoriza\u00e7\u00e3o para se omitir. Que ningu\u00e9m transforme prefer\u00eancia pol\u00edtica em cegueira. E que a cobran\u00e7a n\u00e3o tenha lado preferido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O voto termina na urna. A responsabilidade, n\u00e3o. Porque o Brasil que esperamos n\u00e3o depende apenas de quem elegemos, mas tamb\u00e9m do que estamos dispostos a fazer depois que a elei\u00e7\u00e3o acaba.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Duse Leite<\/strong> \u00e9 funcion\u00e1ria p\u00fablica e jornalista.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre a escolha que fizemos e o pa\u00eds que queremos, existe uma responsabilidade que n\u00e3o pode ser terceirizada. Passada a elei\u00e7\u00e3o, baixam as bandeiras, guardam-se os discursos e, aos poucos, as discuss\u00f5es pol\u00edticas v\u00e3o perdendo o calor. 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