
{"id":40063,"date":"2026-10-08T15:09:24","date_gmt":"2026-10-08T18:09:24","guid":{"rendered":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/?p=40063"},"modified":"2026-10-08T15:09:24","modified_gmt":"2026-10-08T18:09:24","slug":"outubro-rosa-tratamento-termina-mas-medo-do-cancer-pode-permanecer-alerta-e-da-psicologa-clinica-lais-mutuberria-vieira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/outubro-rosa-tratamento-termina-mas-medo-do-cancer-pode-permanecer-alerta-e-da-psicologa-clinica-lais-mutuberria-vieira\/","title":{"rendered":"Outubro Rosa: tratamento termina, mas medo do c\u00e2ncer pode permanecer Alerta \u00e9 da psic\u00f3loga cl\u00ednica La\u00eds Mutuberria Vieira"},"content":{"rendered":"<p>As campanhas do Outubro Rosa s\u00e3o tradicionalmente marcadas por informa\u00e7\u00f5es sobre preven\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico e tratamento do c\u00e2ncer de mama. Mas existe outra dimens\u00e3o menos falada: quando o tratamento termina, o medo de a doen\u00e7as voltar assombra muitas mulheres.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1704798&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1704798&amp;o=node\" \/><\/p>\n<blockquote><p>\u201cEnquanto familiares e amigos celebram a remiss\u00e3o e esperam que a vida volte ao normal, a mulher pode continuar convivendo com medos, inseguran\u00e7as e transforma\u00e7\u00f5es que n\u00e3o desaparecem com o fim do tratamento\u201d, escreve, em artigo, a psic\u00f3loga cl\u00ednica La\u00eds Mutuberria Vieira.<\/p><\/blockquote>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<p><strong>A especialista explica que, durante meses, a mulher enfrenta\u00a0nova rotina com hospital, m\u00e9dicos, exames. \u201cConsultas e pessoas sempre por perto, acompanhando sua sa\u00fade. Quando a quimioterapia e a radioterapia terminam, esse contato diminui e come\u00e7a\u00a0nova etapa. Uma etapa cheia de incertezas, de medo de a doen\u00e7a voltar\u00a0e de transforma\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria vida\u201d, afirma La\u00eds \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com ela, assim como o acompanhamento m\u00e9dico continua importante, o suporte emocional tamb\u00e9m pode precisar permanecer, respeitando o ritmo de cada mulher e ajudando-a a reconstruir a confian\u00e7a na pr\u00f3pria vida, mesmo sem a possibilidade de eliminar todas as incertezas.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA \u00faltima sess\u00e3o de quimioterapia ou radioterapia pode marcar o fim de um tratamento, mas n\u00e3o o cuidado com essa mulher, que ainda precisa continuar\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Segundo a psic\u00f3loga, muitos familiares e amigos se afastam para voltar \u00e0 rotina normal e a mulher, temendo a recidiva da doen\u00e7a, fica marcada pelo medo da solid\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cOs exames de acompanhamento podem despertar medo, qualquer altera\u00e7\u00e3o ou dor pode ser interpretada como reincid\u00eancia da doen\u00e7a. Essa mulher ainda precisa de apoio\u201d, diz La\u00eds.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Ela lembra que muitas pacientes continuam usando medica\u00e7\u00e3o por at\u00e9 cinco\u00a0anos e sentem fadiga, al\u00e9m de outros efeitos desse tratamento de acompanhamento<\/strong>. \u201cO corpo dessa mulher mudou. Ela tem cicatriz, \u00e0s vezes perdeu uma mama, ganhou uma nova mama que ela ainda n\u00e3o se identifica. A sexualidade pode mudar, assim como a intimidade com o parceiro e a pr\u00f3pria disposi\u00e7\u00e3o diminui par atividades di\u00e1rias e para a vida sexual\u201d, afirma.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEssas mudan\u00e7as podem afetar a autoestima, o desejo, a sensa\u00e7\u00e3o de atratividade e a forma como essa mulher se reconhece no espelho, repercutindo tamb\u00e9m em dimens\u00f5es mais amplas da sexualidade, como o toque, a espontaneidade, a confian\u00e7a e a disponibilidade para o v\u00ednculo \u00edntimo\u201d, acrescenta.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Renata Reis Pinto, m\u00e9dica mastologista e radiologista, com atua\u00e7\u00e3o no Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca), lembra que o c\u00e2ncer de mama ainda \u00e9 uma doen\u00e7a com muitos estigmas<\/strong>. At\u00e9 hoje, na pr\u00e1tica cl\u00ednica, ela diz que a doen\u00e7a ainda \u00e9 vista como uma senten\u00e7a de morte, que traz muitas d\u00favidas e medo de como ser\u00e1 a evolu\u00e7\u00e3o e do que a paciente ter\u00e1 que enfrentar diante do diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p><strong>Para a m\u00e9dica, providenciar todo um aparato para a paciente falar sobre suas quest\u00f5es \u00e9 importante at\u00e9 para a evolu\u00e7\u00e3o do tratamento<\/strong>. \u201c\u00c9 importante oferecer para a paciente um tratamento multidisciplinar, com uma assistente social que pode ajudar em quest\u00f5es como onde vai ficar o filho enquanto ela est\u00e1 em tratamento, quest\u00f5es sociais relacionadas ao trabalho. A psico-oncologia \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia para perceber at\u00e9 que ponto esse medo est\u00e1 sendo t\u00e3o intenso que a paciente possa necessitar de alguma medica\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Renata \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil.<\/strong><\/p>\n<p>Josiane Fernandes, 48 anos, de Volta Redonda, no sul fluminense, descobriu o c\u00e2ncer de mama no in\u00edcio de 2025 ao perceber um n\u00f3dulo na mama esquerda. Em mar\u00e7o do ano passado ela confirmou o diagn\u00f3stico e come\u00e7ou o tratamento.<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o contei para ningu\u00e9m. Eu sofri sozinha. S\u00f3 contei para meu marido depois de fazer a bi\u00f3psia. Meu tratamento com cirurgia, quimioterapia e imunoterapia durou por volta de um ano e tr\u00eas meses. Entrei em depress\u00e3o, precisei de tratamento\u201d, conta.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o fim do tratamento do c\u00e2ncer, Josiane continua o acompanhamento m\u00e9dico. \u201cO tratamento pode terminar, mas o medo nem sempre termina junto. At\u00e9 hoje, numa consulta de rotina, num exame, eu entro em p\u00e2nico. Parece que volta tudo o que eu vivi. As pessoas que passam por um c\u00e2ncer deveriam ter um cuidado no p\u00f3s-tratamento. Existe vida depois do c\u00e2ncer, mas essa vida precisa ser reconstru\u00edda\u201d, completa Josiane.<\/p>\n<p><strong>Segundo a estimativa do Inca para este ano, o tumor mais incidente entre as mulheres \u00e9 o de mama, com 30% dos casos.<\/strong> O n\u00famero estimado de casos novos da doen\u00e7a no Brasil, para cada ano do tri\u00eanio de 2026 a 2028, \u00e9 de 78.610 casos, com risco estimado de 71,57 casos novos a cada 100 mil mulheres.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As campanhas do Outubro Rosa s\u00e3o tradicionalmente marcadas por informa\u00e7\u00f5es sobre preven\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico e tratamento do c\u00e2ncer de mama. 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