
{"id":38153,"date":"2026-07-10T16:54:27","date_gmt":"2026-07-10T19:54:27","guid":{"rendered":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/?p=38153"},"modified":"2026-07-10T16:54:27","modified_gmt":"2026-07-10T19:54:27","slug":"exposicao-no-museu-do-ipiranga-lembra-historia-do-bairro-da-liberdade-mostra-liberdade-bairro-plural-comeca-nesta-semana-em-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/exposicao-no-museu-do-ipiranga-lembra-historia-do-bairro-da-liberdade-mostra-liberdade-bairro-plural-comeca-nesta-semana-em-sp\/","title":{"rendered":"Exposi\u00e7\u00e3o no Museu do Ipiranga lembra hist\u00f3ria do bairro da Liberdade Mostra \u201cLiberdade: bairro plural\u201d, come\u00e7a nesta semana em SP"},"content":{"rendered":"<p>O Museu do Ipiranga abriu ao p\u00fablico, nesta semana, a exposi\u00e7\u00e3o in\u00e9dita \u201cLiberdade: bairro plural\u201d, que revisita a hist\u00f3ria da regi\u00e3o a partir das sucessivas ocupa\u00e7\u00f5es de grupos \u00e9tnicos. Frequentemente associado \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o japonesa, o bairro tem uma trajet\u00f3ria muito mais ampla e complexa.\u00a0<strong>Com entrada gratuita, a mostra fica em cartaz at\u00e9 31 de janeiro de 2027.<\/strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1696293&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1696293&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>Regi\u00e3o emblem\u00e1tica da cidade de S\u00e3o Paulo, o bairro da Liberdade teve em sua forma\u00e7\u00e3o ind\u00edgenas, portugueses, africanos e afro-brasileiros escravizados ou livres, japoneses, italianos, alem\u00e3es, russos, estadunidenses, chineses, taiwaneses, libaneses, haitianos, guineenses, bolivianos e outros.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cAo reunir objetos, fotografias, documentos, vestimentas, instrumentos musicais, mobili\u00e1rio, projetos arquitet\u00f4nicos e obras de arte provenientes de institui\u00e7\u00f5es sediadas ou historicamente ligadas ao bairro, a exposi\u00e7\u00e3o revela como diferentes comunidades contribu\u00edram para moldar a paisagem cultural da Liberdade\u201d, divulgou o museu.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Com curadoria dos historiadores Paulo Garcez Marins, M\u00f4nica Raisa Schpun, Aline Montenegro Magalh\u00e3es, Francisco Andrade e David Ribeiro, a exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 organizada em tr\u00eas m\u00f3dulos e apresenta a Liberdade como um territ\u00f3rio em permanente transforma\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>De acordo com os curadores, por mais de dois s\u00e9culos, a regi\u00e3o foi ocupada e transformada por diferentes grupos, tornando-se um territ\u00f3rio marcado por encontros, trocas culturais, perman\u00eancias, deslocamentos e disputas de mem\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Pr\u00f3ximo \u00e0 Pra\u00e7a da S\u00e9, o bairro come\u00e7ou a ser formado em um territ\u00f3rio que pertencia aos tupis que habitavam o planalto paulistano. A partir do s\u00e9culo 18, as primeiras ruas surgiram em torno de antigos caminhos ind\u00edgenas, como aquele em que hoje est\u00e1 a Avenida Liberdade.<\/strong><\/p>\n<p>Brancos de origem portuguesa, africanos e afro-brasileiros escravizados ou livres come\u00e7aram a se instalar no local. No s\u00e9culo 19, os curadores apontam que a presen\u00e7a da forca, do pelourinho, do Hospital da Santa Casa, do Cemit\u00e9rio dos Aflitos e da Casa de P\u00f3lvora fez com que a regi\u00e3o fosse associada \u00e0 morte, \u00e0 puni\u00e7\u00e3o e ao medo, desvalorizando os terrenos e tornando-os mais acess\u00edveis para popula\u00e7\u00f5es de menor renda e para novos moradores que chegavam na cidade.<\/p>\n<p><strong>A partir das \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo 19, o bairro passou a atrair sucessivas ondas de imigrantes, como italianos, portugueses, alem\u00e3es, japoneses, chineses, taiwaneses, russos, libaneses e norte-americanos. No local, eles estabeleceram resid\u00eancias, templos religiosos, associa\u00e7\u00f5es culturais, escolas, jornais e espa\u00e7os de sociabilidade.<\/strong><\/p>\n<p>A curadoria ressalta que, mais recentemente, a regi\u00e3o passou a acolher tamb\u00e9m imigrantes e refugiados vindos da \u00c1frica, da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, o que promove continuamente a diversidade no bairro.<\/p>\n<h2>Apagamentos<\/h2>\n<p>A curadoria evidencia que a pluralidade da Liberdade n\u00e3o resulta apenas da coexist\u00eancia de diferentes grupos, mas das rela\u00e7\u00f5es constru\u00eddas entre eles. Ao longo do tempo, o bairro se consolidou como um espa\u00e7o de conviv\u00eancia, negocia\u00e7\u00e3o e interc\u00e2mbio cultural, onde distintas tradi\u00e7\u00f5es religiosas, lingu\u00edsticas e associativas passaram a compartilhar o mesmo territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de destacar as presen\u00e7as de grupos diversos, a exposi\u00e7\u00e3o aborda processos de apagamento e disputa de mem\u00f3ria.\u00a0<strong>O percurso apresenta epis\u00f3dios como a atua\u00e7\u00e3o e extin\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria da Frente Negra Brasileira na d\u00e9cada de 1930, a destrui\u00e7\u00e3o do Cemit\u00e9rio dos Aflitos e a import\u00e2ncia de sua Capela para as mem\u00f3rias negras, a demoli\u00e7\u00e3o da Igreja dos Rem\u00e9dios ligada ao abolicionismo.<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, houve persegui\u00e7\u00e3o e expuls\u00e3o de fam\u00edlias japonesas durante a Segunda Guerra Mundial e o confisco da sede da Sociedade Filarm\u00f4nica Lyra em 1945, ligada \u00e0 comunidade alem\u00e3.<\/p>\n<p>Outro tema central \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o da imagem atual da Liberdade como bairro associado especificamente aos japoneses.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA partir da d\u00e9cada de 1970, por iniciativa da prefeitura, foram feitas interven\u00e7\u00f5es urbanas inspiradas nas tradi\u00e7\u00f5es japonesas, que transformaram a paisagem local e consolidaram uma identidade visual que se tornou s\u00edmbolo tur\u00edstico da cidade\u201d, menciona a curadoria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p>Uma das propostas da mostra \u00e9 justamente promover a reflex\u00e3o sobre esse processo e como ele contribuiu para ampliar a visibilidade da presen\u00e7a nipo-brasileira, ao mesmo tempo em que favoreceu o apagamento das demais presen\u00e7as \u00e9tnicas.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Basil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Museu do Ipiranga abriu ao p\u00fablico, nesta semana, a exposi\u00e7\u00e3o in\u00e9dita \u201cLiberdade: bairro plural\u201d, que revisita a hist\u00f3ria da regi\u00e3o a partir das sucessivas ocupa\u00e7\u00f5es de grupos \u00e9tnicos. 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