
{"id":37932,"date":"2026-06-30T10:22:24","date_gmt":"2026-06-30T13:22:24","guid":{"rendered":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/?p=37932"},"modified":"2026-06-30T10:22:24","modified_gmt":"2026-06-30T13:22:24","slug":"onda-de-calor-na-europa-bate-recordes-e-expoe-crise-climatica-especialistas-defendem-adaptacao-da-infraestrutura-urbana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/onda-de-calor-na-europa-bate-recordes-e-expoe-crise-climatica-especialistas-defendem-adaptacao-da-infraestrutura-urbana\/","title":{"rendered":"Onda de calor na Europa bate recordes e exp\u00f5e crise clim\u00e1tica Especialistas defendem adapta\u00e7\u00e3o da infraestrutura urbana"},"content":{"rendered":"<p>A primeira onda de calor do ver\u00e3o europeu deste ano surpreendeu autoridades, a popula\u00e7\u00e3o e a comunidade cient\u00edfica. Foi mais intensa do que o esperado e encontrou um continente que ainda tem legisla\u00e7\u00e3o trabalhista inadequada e estrutura urbana pouco preparada, segundo especialistas ouvidos pela Ag\u00eancia Brasil.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1695186&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1695186&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>Com impacto mais intenso nas regi\u00f5es central e norte do continente, o fen\u00f4meno, marcado por temperaturas mais de dois graus acima da m\u00e9dia por pelo menos tr\u00eas dias, registrou temperaturas in\u00e9ditas no norte da Espanha, na Fran\u00e7a, em todo o Reino Unido, na Alemanha, na Pol\u00f4nia, na Dinamarca, na Litu\u00e2nia, na Let\u00f4nia e na Su\u00e9cia, de acordo com a revista cient\u00edfica Nature.<\/p>\n<p>&#8220;A explica\u00e7\u00e3o consensual para a onda de calor de junho de 2026 centra-se num padr\u00e3o de bloqueio atmosf\u00e9rico designado Omega Block. As temperaturas extremas s\u00e3o possibilitadas por uma &#8216;c\u00fapula de calor&#8217; (heat dome). Esta \u00e9 uma \u00e1rea extensa de alta press\u00e3o que ficou estacionada sobre a Europa Ocidental. O nome Omega Block resulta da forma da mesma, que se assemelha \u00e0 letra grega \u00f4mega&#8221;, explica o professor Vasco Mantas, PhD e diretor do Departamento de Ci\u00eancias da Terra da Universidade de Coimbra.<\/p>\n<p>A Nature divulgou ainda que o aumento das temperaturas registrado na Europa ocorre em ritmo pelo menos duas vezes superior \u00e0 m\u00e9dia mundial. Mantas destacou que o mecanismo de bloqueio atmosf\u00e9rico \u00e9 o mesmo observado na onda de calor do ver\u00e3o de 2023, mas o fen\u00f4meno atual come\u00e7ou mais cedo, n\u00e3o foi o primeiro do ano e apresenta intensidade maior, com temperaturas entre 5 e 12 graus acima das m\u00e9dias sazonais.<\/p>\n<p>&#8220;Em condi\u00e7\u00f5es normais, a corrente de jato (jet stream) transporta os sistemas meteorol\u00f3gicos de oeste para leste. Mas, durante um bloqueio em \u00f4mega, esse fluxo fica alterado e pode desviar-se, isolando os sistemas de press\u00e3o. Esse padr\u00e3o transportou ar quente do Norte da \u00c1frica para a regi\u00e3o, trazendo simultaneamente c\u00e9u limpo e forte radia\u00e7\u00e3o solar, o que intensificou ainda mais o calor&#8221;, afirma o professor.<\/p>\n<p>Segundo Mantas, esse tipo de fen\u00f4meno tem se tornado mais frequente e intenso, o que refor\u00e7a a necessidade de medidas urgentes de mitiga\u00e7\u00e3o e de adapta\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os urbanos e dos territ\u00f3rios mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>Paris, 40 graus. Cidade maravilha?<\/strong><\/p>\n<p>O planejamento urbano, tema recorrente nos debates ambientais desde a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Eco-92), realizada no Rio de Janeiro, voltou ao centro das discuss\u00f5es diante da onda de calor.<\/p>\n<p>Embora o continente seja frequentemente associado a pol\u00edticas ambientais, especialistas afirmam que d\u00e9cadas de expans\u00e3o urbana e press\u00e3o imobili\u00e1ria reduziram \u00e1reas verdes em diversas cidades.<\/p>\n<p>&#8220;Nas cidades faltam \u00e1reas verdes e espa\u00e7os de sombreamento, como parques, que t\u00eam sido reduzidos pela press\u00e3o imobili\u00e1ria. Cometemos erros de zoneamento e vamos pagar por isso&#8221;, disse o professor Paulo Nossa, da \u00e1rea de Geografia da Universidade de Coimbra.<\/p>\n<p>Para Nossa, os impactos v\u00e3o al\u00e9m dos inc\u00eandios florestais e das chuvas extremas e atingem diretamente a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. Segundo ele, pol\u00edticas p\u00fablicas precisam adotar estrat\u00e9gias permanentes de monitoramento para proteger principalmente os idosos. Na \u00faltima semana, o aumento da demanda levou sistemas de sa\u00fade ao limite, e a expectativa \u00e9 de crescimento da mortalidade.<\/p>\n<p>Os idosos s\u00e3o apenas um dos grupos mais vulner\u00e1veis. Crian\u00e7as, pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua e indiv\u00edduos com doen\u00e7as cardiovasculares tamb\u00e9m sofrem maior risco. Outro fator preocupante \u00e9 a persist\u00eancia das altas temperaturas durante a noite, o que dificulta a recupera\u00e7\u00e3o do organismo e prolonga a exposi\u00e7\u00e3o ao calor, afirma Lincoln Alves, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e coordenador-geral de Integra\u00e7\u00e3o Multin\u00edvel e An\u00e1lise de Risco do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e Mudan\u00e7a do Clima.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um risco complexo, pois \u00e9 silencioso, afetando a sa\u00fade das pessoas, os sistemas de sa\u00fade e outros aspectos sociais, como o funcionamento das escolas. A infraestrutura europeia n\u00e3o est\u00e1 preparada, pois muitos edif\u00edcios foram projetados para o inverno, com ambientes adaptados ao frio e menor circula\u00e7\u00e3o de ar&#8221;, pondera Alves.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM) informou que esta \u00e9 uma das ondas de calor mais intensas j\u00e1 registradas no continente europeu. Na Fran\u00e7a, a cidade de Palluau registrou temperatura recorde de 43,8 \u00b0C. Segundo a ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas, todo o sul da Europa e a regi\u00e3o dos B\u00e1lc\u00e3s foram atingidos pelo calor extremo, em um cen\u00e1rio agravado pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p><strong>Crise clim\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p>Se o termo &#8220;crise&#8221; tem origem na tradi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica europeia, especialistas afirmam que a dimens\u00e3o atual do problema exige respostas concretas e urgentes.<\/p>\n<p>Em declara\u00e7\u00f5es recentes \u00e0 imprensa, o secret\u00e1rio executivo da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima (UNFCCC), Simon Stiell, afirmou que, enquanto a humanidade continuar a queimar grandes quantidades de carv\u00e3o, petr\u00f3leo e g\u00e1s, &#8220;as ondas de calor extremas s\u00f3 tendem a piorar&#8221;, assim como outros eventos clim\u00e1ticos extremos, incluindo secas, inunda\u00e7\u00f5es, inc\u00eandios florestais e tempestades.<\/p>\n<p>Stiell tamb\u00e9m defendeu a acelera\u00e7\u00e3o da transi\u00e7\u00e3o para fontes renov\u00e1veis de energia, a prote\u00e7\u00e3o das florestas e o fortalecimento das pol\u00edticas de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O momento \u00e9 especialmente delicado para a Europa. O ver\u00e3o concentra o maior fluxo de turistas no continente, principalmente nas regi\u00f5es Sul e Central. Na onda de calor de 2023, pa\u00edses como a Gr\u00e9cia chegaram a fechar pontos tur\u00edsticos por causa das temperaturas extremas.<\/p>\n<p>Segundo o professor Paulo Nossa, muitos destinos tur\u00edsticos ainda n\u00e3o est\u00e3o preparados para enfrentar epis\u00f3dios prolongados de calor intenso.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o podemos manter a situa\u00e7\u00e3o como est\u00e1. Pa\u00edses da costa sul, como Espanha e Gr\u00e9cia, n\u00e3o t\u00eam essa previs\u00e3o institucional, mas uma onda de calor de alguns dias pode arruinar a sa\u00fade de turistas e trabalhadores. \u00c9 preciso estabelecer estrat\u00e9gias de dispers\u00e3o dos fluxos tur\u00edsticos, considerando o tempo e os locais de visita\u00e7\u00e3o, com menor concentra\u00e7\u00e3o em determinados per\u00edodos e atra\u00e7\u00f5es. Isso j\u00e1 tem ocorrido com turistas idosos, mas a popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa ainda concentra suas viagens em cerca de dois meses por ano&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O ge\u00f3grafo tamb\u00e9m defende protocolos que estimulem hor\u00e1rios de visita\u00e7\u00e3o mais distribu\u00eddos ao longo do dia, privilegiando os per\u00edodos de temperaturas mais amenas.<\/p>\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho \u00e9 apontada como uma das medidas mais urgentes. Nossa avalia que trabalhadores do setor de turismo, especialmente migrantes e estrangeiros, est\u00e3o entre os mais vulner\u00e1veis aos efeitos das ondas de calor.<\/p>\n<p>Para ele, \u00e9 necess\u00e1rio rever normas trabalhistas, ampliar medidas de prote\u00e7\u00e3o e adequar jornadas e condi\u00e7\u00f5es de trabalho \u00e0 nova realidade clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>&#8220;As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas deixaram de ser um problema do futuro. Elas j\u00e1 est\u00e3o transformando a forma como as cidades funcionam, como as pessoas trabalham e como os sistemas de sa\u00fade respondem \u00e0s emerg\u00eancias. A adapta\u00e7\u00e3o precisa ocorrer na mesma velocidade em que esses eventos extremos se intensificam&#8221;, conclui o pesquisador.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira onda de calor do ver\u00e3o europeu deste ano surpreendeu autoridades, a popula\u00e7\u00e3o e a comunidade cient\u00edfica. Foi mais intensa do que o esperado e encontrou um continente que ainda tem legisla\u00e7\u00e3o trabalhista inadequada e estrutura urbana pouco preparada, segundo especialistas ouvidos pela Ag\u00eancia Brasil. 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