
{"id":37741,"date":"2026-06-19T19:33:50","date_gmt":"2026-06-19T22:33:50","guid":{"rendered":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/?p=37741"},"modified":"2026-06-19T19:33:50","modified_gmt":"2026-06-19T22:33:50","slug":"comidas-tipicas-carregam-historias-e-mantem-viva-a-tradicao-do-sao-joao-receitas-atravessam-geracoes-e-garantem-o-sustento-de-comerciantes-ha-decadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/comidas-tipicas-carregam-historias-e-mantem-viva-a-tradicao-do-sao-joao-receitas-atravessam-geracoes-e-garantem-o-sustento-de-comerciantes-ha-decadas\/","title":{"rendered":"Comidas t\u00edpicas carregam hist\u00f3rias e mant\u00eam viva a tradi\u00e7\u00e3o do S\u00e3o Jo\u00e3o Receitas atravessam gera\u00e7\u00f5es e garantem o sustento de comerciantes h\u00e1 d\u00e9cadas"},"content":{"rendered":"<p data-base-font=\"18\">\u201cOlha o mungunz\u00e1, hein? Vai passando o mungunz\u00e1!\u201d<\/p>\n<p data-base-font=\"18\">H\u00e1 duas d\u00e9cadas, esse bord\u00e3o ecoa pelas ruas de Macei\u00f3. \u00c9 Jos\u00e9 Germano que, de bicicleta, percorre bairros da capital vendendo mungunz\u00e1 e sopa de porta em porta. Neste per\u00edodo junino, hist\u00f3rias como a dele ajudam a preservar tradi\u00e7\u00f5es e mostram como a gastronomia t\u00edpica segue viva no cotidiano dos alagoanos.<\/p>\n<p data-base-font=\"18\">A tradi\u00e7\u00e3o veio de fam\u00edlia. O pai j\u00e1 trabalhava com a venda de mungunz\u00e1 e a m\u00e3e era camel\u00f4. Hoje, Jos\u00e9 mant\u00e9m a atividade durante todo o ano, mas \u00e9 em junho que as encomendas aumentam e refor\u00e7am a renda.<\/p>\n<p data-base-font=\"18\">Aos 66 anos, a rotina come\u00e7a cedo. A produ\u00e7\u00e3o tem in\u00edcio \u00e0s 11h e, por volta das 16h30, ele sai de casa para percorrer o trajeto que inclui a Ladeira do \u00d3leo, no Jacintinho, Cruz das Almas, Jati\u00faca e o Conjunto Santo Eduardo, no Po\u00e7o. O retorno acontece apenas \u00e0 noite, e quase sempre sem sobras.<\/p>\n<p data-base-font=\"18\">\u201cFoi de pai para filho. Minha clientela \u00e9 muito boa, uso produtos tradicionais e naturais. Todos os dias eu saio com 20 litros de mungunz\u00e1 e 20 litros de sopa e volto para casa sem nada. O mungunz\u00e1 me trouxe liberdade e seguran\u00e7a. Todos elogiam a qualidade e o atendimento. Para mim, isso representa hist\u00f3ria e tradi\u00e7\u00e3o\u201d, conta.<\/p>\n<p data-base-font=\"18\">Mais do que vender alimentos, quem vive do milho mant\u00e9m acesa uma heran\u00e7a cultural que atravessa gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p data-base-font=\"18\">No bairro Graciliano Ramos, essa tradi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m resiste h\u00e1 quase tr\u00eas d\u00e9cadas. \u00c9 dif\u00edcil passar pela Da Terra das Tapiocas sem sentir o cheiro de mungunz\u00e1, bolo de milho, canjica, pamonha e milho cozido. O neg\u00f3cio foi fundado em 1996 por Dona Lau (in memoriam), m\u00e3e de Jaqueline, que come\u00e7ou com uma pequena barraca montada na esquina da rua.<\/p>\n<p data-base-font=\"18\">Jaqueline relembra que tudo come\u00e7ou com um investimento simples: cerca de R$ 50 para comprar um fogareiro, uma chapa e os insumos iniciais. Hoje, al\u00e9m da tapioca, carro-chefe da casa, o card\u00e1pio re\u00fane produtos tradicionais do per\u00edodo junino.<\/p>\n<p data-base-font=\"18\">Emocionada, ela conta que este \u00e9 o primeiro S\u00e3o Jo\u00e3o sem a m\u00e3e.<\/p>\n<p data-base-font=\"18\">\u201cEla faleceu em julho do ano passado. O milho n\u00e3o \u00e9 apenas fonte de renda. Representa fam\u00edlia, mem\u00f3ria, afeto e prosperidade. Faz parte da nossa hist\u00f3ria desde a inf\u00e2ncia. Antes de cozinhar para outras pessoas, antes de virar com\u00e9rcio, minha m\u00e3e preparava milho para reunir familiares e amigos\u201d, relembra.<\/p>\n<p data-base-font=\"18\">Natural de Cupira, em Pernambuco, Aparecida Sales encontrou nas comidas t\u00edpicas uma forma de sustento e tamb\u00e9m de manter viva sua liga\u00e7\u00e3o com a terra.<\/p>\n<p data-base-font=\"18\">H\u00e1 20 anos, pontualmente \u00e0s 16h, ela monta o carrinho em frente ao Hospital Unimed, no bairro do Farol. No card\u00e1pio, oferece canjica, pamonha, bolo de macaxeira, milho e mungunz\u00e1.<\/p>\n<p data-base-font=\"18\">\u201cRepresenta a minha vida, \u00e9 meu trabalho. Eu vim da agricultura, da ro\u00e7a, plantando milho. Quem mexe com milho n\u00e3o sai mais dele, a gente se reinventa. Estou aqui de janeiro a janeiro, mas neste per\u00edodo tenho muita encomenda, o telefone n\u00e3o para de tocar e o lucro cresce. Em 20 dias de junho, a gente consegue o equivalente ao ano todo\u201d, relata.<\/p>\n<p data-base-font=\"18\">Cliente de Aparecida h\u00e1 cerca de quatro anos, Aline Barbosa destaca que consumir desses comerciantes tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de valorizar a economia local.<\/p>\n<p data-base-font=\"18\">\u201cA comida \u00e9 excepcional. Ela prioriza a qualidade e cria v\u00ednculo com os clientes. Minha filha ama o milho, minha fam\u00edlia adora a canjica, mas todos os produtos s\u00e3o deliciosos. O S\u00e3o Jo\u00e3o \u00e9 especial, mas ela trabalha o ano inteiro e merece esse reconhecimento\u201d, diz.<\/p>\n<p data-base-font=\"18\">Para a jornalista e blogueira de gastronomia e turismo Nide Lins, as comidas t\u00edpicas t\u00eam papel central na preserva\u00e7\u00e3o da identidade nordestina.<\/p>\n<p data-base-font=\"18\">\u201cS\u00e3o Jo\u00e3o sem pamonha, canjica e bolo de milho n\u00e3o tem a mesma gra\u00e7a. Em junho, o Nordeste mostra sua for\u00e7a no saber e no fazer das tradi\u00e7\u00f5es. Milho verde, mungunz\u00e1 e canjica com canela aquecem o cora\u00e7\u00e3o e movimentam a economia. As del\u00edcias juninas representam um refor\u00e7o importante para quem trabalha com isso, mas tamb\u00e9m carregam mem\u00f3rias afetivas que nos conectam \u00e0 inf\u00e2ncia, \u00e0s festas em fam\u00edlia e \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es que atravessam gera\u00e7\u00f5es\u201d, finaliza.<\/p>\n<p data-base-font=\"18\">Fonte: Secom Macei\u00f3<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cOlha o mungunz\u00e1, hein? Vai passando o mungunz\u00e1!\u201d H\u00e1 duas d\u00e9cadas, esse bord\u00e3o ecoa pelas ruas de Macei\u00f3. \u00c9 Jos\u00e9 Germano que, de bicicleta, percorre bairros da capital vendendo mungunz\u00e1 e sopa de porta em porta. 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