
{"id":37061,"date":"2026-05-16T09:13:51","date_gmt":"2026-05-16T12:13:51","guid":{"rendered":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/?p=37061"},"modified":"2026-05-16T09:13:51","modified_gmt":"2026-05-16T12:13:51","slug":"fui-batizada-por-um-pombo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/fui-batizada-por-um-pombo\/","title":{"rendered":"&#8220;Fui batizada por um pombo: Coisa de urbanidade.&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Sexta-feira. Aquele dia em que a pessoa j\u00e1 acorda trabalhando s\u00f3 com 30% da alma e o restante esperando o fim do expediente. Eu estava na porta do trabalho, observando o movimento da rua, tentando respirar um pouco entre uma tarefa e outra, quando decidi filosofar sobre a vida.<br \/>\nErro meu.<br \/>\nPorque parece que o universo n\u00e3o gosta quando a gente pensa demais.<br \/>\nO c\u00e9u estava tranquilo. O movimento seguia normal. Gente passando, carro buzinando, vendedor gritando promo\u00e7\u00e3o, e eu ali, parada, apenas existindo. Foi quando senti algo cair.<br \/>\nUma coisa r\u00e1pida. Precisa. Gelada. Cruel.<br \/>\nNa hora, olhei para cima, j\u00e1 sabendo.<br \/>\nL\u00e1 estava ele.<br \/>\nO pombo.<br \/>\nMe encarando com a tranquilidade de quem acabou de pagar uma d\u00edvida antiga.<br \/>\nE eu parada, indignada, olhando para aquela ave urbana que sequer demonstrou arrependimento. O pombo simplesmente seguiu sua vida. Nem um pedido de desculpas. Nem uma considera\u00e7\u00e3o. Nada.<br \/>\nPior \u00e9 que dizem que isso d\u00e1 sorte.<br \/>\nOra, se aquilo era sorte, imagine o azar vindo de caminh\u00e3o.<br \/>\nO mais humilhante n\u00e3o foi nem o acontecimento. Foi a rea\u00e7\u00e3o das pessoas. Sempre aparece algu\u00e9m tentando consolar:<br \/>\n\u2014 \u201cRelaxa, isso \u00e9 sorte!\u201d<br \/>\nSorte pra quem? Pro pombo, que saiu mais leve.<br \/>\nTeve gente rindo escondido. Teve quem riu na minha cara mesmo. E teve uma senhora que olhou para mim com pena, como quem v\u00ea algu\u00e9m sendo derrotado pela pr\u00f3pria exist\u00eancia.<br \/>\nNaquele momento eu percebi uma coisa: a vida adulta \u00e9 exatamente isso. Voc\u00ea paga boleto, trabalha, tenta manter a dignidade\u2026 e, de repente, um pombo escolhe voc\u00ea como alvo oficial da sexta-feira.<br \/>\nE o mais impressionante \u00e9 a precis\u00e3o deles. Porque carro passando tem milhares. Poste tem dezenas. Ch\u00e3o vazio ent\u00e3o, nem se fala. Mas n\u00e3o. O cidad\u00e3o alado calcula vento, dist\u00e2ncia, trajet\u00f3ria e pensa:<br \/>\n\u201c\u00c9 naquela ali.\u201d<br \/>\nHoje eu entendo que existem dias em que tudo d\u00e1 errado. E existem dias em que at\u00e9 os pombos participam do compl\u00f4.<br \/>\nMas quer saber? Sobrevivi.<br \/>\nLimpei a roupa, lavei o orgulho e continuei o expediente, porque brasileiro n\u00e3o tem tempo nem de sofrer em paz.<br \/>\nS\u00f3 fiquei com uma preocupa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nVai que o pombo volta segunda&#8230;kkkk<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>*Duse Leite<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sexta-feira. Aquele dia em que a pessoa j\u00e1 acorda trabalhando s\u00f3 com 30% da alma e o restante esperando o fim do expediente. Eu estava na porta do trabalho, observando o movimento da rua, tentando respirar um pouco entre uma tarefa e outra, quando decidi filosofar sobre a vida. Erro meu. 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