
{"id":36532,"date":"2026-04-23T20:18:50","date_gmt":"2026-04-23T23:18:50","guid":{"rendered":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/?p=36532"},"modified":"2026-04-23T20:18:50","modified_gmt":"2026-04-23T23:18:50","slug":"da-lona-do-circo-a-referencia-na-corrida-soldado-da-pm-transforma-a-propria-historia-e-inspira-vidas-por-meio-do-esporte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/da-lona-do-circo-a-referencia-na-corrida-soldado-da-pm-transforma-a-propria-historia-e-inspira-vidas-por-meio-do-esporte\/","title":{"rendered":"Da lona do circo \u00e0 refer\u00eancia na corrida: soldado da PM transforma a pr\u00f3pria hist\u00f3ria e inspira vidas por meio do esporte"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"text-black font-18 mt-0 pt-0\">Bruno \u00cdtalo coleciona medalhas, trof\u00e9us e p\u00f3dios, mas v\u00ea no legado que est\u00e1 deixando o maior motivo para celebra\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>O soldado Bruno \u00cdtalo Alves, do Batalh\u00e3o de Ronda Ostensiva T\u00e1tica Motorizada (Rotam), tornou-se refer\u00eancia na Pol\u00edcia Militar de Alagoas (PM-AL) quando o assunto \u00e9 esporte, especialmente corrida de rua. O militar ingressou na corpora\u00e7\u00e3o em 2020 e, h\u00e1 seis anos, concilia o servi\u00e7o policial com a pr\u00e1tica esportiva. Al\u00e9m de manter a disciplina pessoal, tamb\u00e9m incentiva os colegas na melhoria da qualidade de vida e, hoje, \u00e9 o mais novo personagem da s\u00e9rie de mat\u00e9rias especiais \u201cAl\u00e9m da Farda\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEstimular a sa\u00fade ao meu redor faz parte da minha miss\u00e3o de vida. \u00c9 um prop\u00f3sito ao qual me dedico e carrego comigo essa responsabilidade, de conscientizar outras pessoas sobre a import\u00e2ncia da atividade f\u00edsica e da preven\u00e7\u00e3o. A corrida tem um lugar especial nesse processo. \u00c9 por meio dela que transformei minha vida e acompanho, hoje, tantas hist\u00f3rias incr\u00edveis de supera\u00e7\u00e3o\u201d, ressaltou Bruno \u00cdtalo.<\/p>\n<p>Nascido e criado em uma casa simples na periferia de Macei\u00f3, dividindo um \u00fanico quarto com a m\u00e3e, os av\u00f3s e um tio, Bruno carrega na pr\u00f3pria hist\u00f3ria marcas profundas de luta, disciplina e generosidade. Filho de um dono de circo e de uma dona de casa, cresceu entre dificuldades financeiras, mas cercado de exemplos de trabalho e dignidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Seu pai comandava um circo bastante popular na \u00e9poca. Nas visitas de fim de semana, Bruno, aos 12 anos, tamb\u00e9m entrava no picadeiro e se apresentava como palha\u00e7o. Enquanto o pai era o \u201cSementinha\u201d, ele assumia o papel de \u201cSementinha J\u00fanior\u201d. Mas foi dentro da casa humilde dos av\u00f3s que nasceram os valores que moldariam sua vida.<\/p>\n<p>\u201cA minha inf\u00e2ncia foi uma fase cheia de desafios, mas fundamental para construir a pessoa que sou hoje. Passei a entender que sempre temos como ajudar outras pessoas; basta querermos. Cresci com essa ideia: podemos fazer a diferen\u00e7a na vida dos que est\u00e3o ao nosso redor\u201d, salientou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O estudo como caminho<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em uma realidade em que poucos de sua fam\u00edlia haviam conclu\u00eddo os estudos, Bruno cresceu ouvindo da av\u00f3 que precisava se dedicar para conquistar um futuro melhor. Antes disso, exerceu fun\u00e7\u00f5es como ajudante de pedreiro, instalador de internet, caixa de farm\u00e1cia, porteiro de escola e funcion\u00e1rio de um hospital em Macei\u00f3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi justamente no hospital que enxergou novas possibilidades. Ao observar profissionais formados e estabilizados, reacendeu o sonho antigo de cursar Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. Mesmo acreditando que o ensino superior era distante demais para sua realidade, surgiu a chance por meio de uma bolsa integral do Programa Universidade para Todos (Prouni).<\/p>\n<p>A rotina passou a ser intensa. O hoje policial militar trabalhava pela manh\u00e3 e \u00e0 tarde, estudava \u00e0 noite e ainda treinava de madrugada. Tudo isso deslocando-se pela cidade de bicicleta, chegando a percorrer cerca de 200 quil\u00f4metros por semana. Ap\u00f3s uma primeira tentativa sem \u00eaxito, Bruno conquistou aprova\u00e7\u00e3o no concurso da Pol\u00edcia Militar no ano seguinte. Antes disso, fez uma promessa de que, se conseguisse ingressar na PM, ajudaria gratuitamente outras pessoas a serem aprovadas no teste f\u00edsico, outra etapa do certame.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cMuitos passaram na prova te\u00f3rica junto comigo em 2018. A maioria estava ansiosa pelo teste f\u00edsico, fase seguinte considerada um grande desafio. Vi ali a oportunidade para cumprir minha promessa e me dispus, de forma volunt\u00e1ria, a ajudar esses candidatos. Divididos em grupos, \u00edamos para a praia todos os dias treinar para o Teste de Aptid\u00e3o F\u00edsica (TAF). Eu ficava imensamente feliz com a not\u00edcia de cada aprova\u00e7\u00e3o\u201d, recordou.<\/p>\n<p>Como pagamento pelo trabalho, cada participante levava um quilo de alimento por semana. Os itens eram entregues \u00e0 sua av\u00f3, que, por sua vez, fazia a distribui\u00e7\u00e3o entre familiares e vizinhos necessitados. Hoje, al\u00e9m de atleta corredor, o soldado tamb\u00e9m desempenha a fun\u00e7\u00e3o de professor, auxiliando policiais militares durante os treinos na academia de muscula\u00e7\u00e3o da Rotam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O exemplo como inspira\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A soldado Karinne Santos, lotada no Batalh\u00e3o de Tr\u00e2nsito, \u00e9 uma das pessoas que conheceram de perto o profissional Bruno \u00cdtalo. Ela acompanha o trabalho do educador f\u00edsico desde quando treinou com ele e foi mais uma candidata aprovada no TAF.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cFalar sobre o Bruno \u00e9 lembrar do quanto ainda podemos ter f\u00e9 na humanidade. \u00c9 lembrar de uma \u00e9poca em que, mesmo sem receber nenhum valor financeiro, ele ofereceu o seu melhor preparando uma turma gigante de aprovados no concurso de 2018. Sua \u00fanica \u2018cobran\u00e7a\u2019 foram alimentos para ajudar ainda mais pessoas. Ao final do curso, n\u00e3o pude deixar de reconhecer a import\u00e2ncia dele em toda a minha trajet\u00f3ria\u201d, relembrou.<\/p>\n<p>\u201cHoje n\u00e3o sou uma corredora profissional, mas foi a partir da influ\u00eancia dele, h\u00e1 oito anos, que a corrida come\u00e7ou a fazer parte da minha vida. Quando ele teve a oportunidade de ajudar aqueles que n\u00e3o tinham nada a lhe oferecer, demonstrou o qu\u00e3o gigante era e segue sendo. Tenho uma eterna gratid\u00e3o por tudo\u201d, reconheceu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>A corrida como transforma\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com Bruno, a corrida une diferentes realidades, previne doen\u00e7as, promove disciplina, sa\u00fade e supera\u00e7\u00e3o. Mas, acima de tudo, cria oportunidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO esporte muda vidas. A corrida, em espec\u00edfico, une pessoas de diferentes classes. \u00c0s vezes, algu\u00e9m com menor condi\u00e7\u00e3o social \u00e9 um excelente atleta, mas precisa de ajuda. E algu\u00e9m, tamb\u00e9m atleta, em melhor condi\u00e7\u00e3o, doa um t\u00eanis que j\u00e1 n\u00e3o usa, um rel\u00f3gio. Vejo o esporte como uni\u00e3o e supera\u00e7\u00e3o. Como professor, ver alunos alcan\u00e7ando marcas como 5 e 10 km, cuidando mais de si e superando limites me emociona muito\u201d, frisou.<\/p>\n<p>O militar lembra que, quando iniciou na corrida, influenciado pelo tio, aos 16 anos, sa\u00eda de casa e percorria trajetos na orla lagunar do bairro do Vergel do Lago e utilizava o Google Maps para medir dist\u00e2ncia e tempo, j\u00e1 que, naquela \u00e9poca, ainda n\u00e3o existiam aplicativos como os dispon\u00edveis hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cL\u00e1 no in\u00edcio, eu treinava de forma bem simples. Marcava postes, corria forte de um ponto a outro e tentava melhorar. Mais tarde, trabalhando no hospital, alguns m\u00e9dicos come\u00e7aram a me ajudar com inscri\u00e7\u00f5es em corridas, rel\u00f3gio e t\u00eanis. Por um per\u00edodo, tamb\u00e9m participei de uma escolinha de futebol, conduzida pelo subtenente da PM Joel, atualmente na reserva, onde corr\u00edamos bastante. Todos esses profissionais foram grandes incentivadores\u201d, lembrou.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo desafio j\u00e1 tem data e hora marcadas. No pr\u00f3ximo domingo, 26 de abril, \u00e0s 5h30, Bruno estar\u00e1 disputando os 10 km da 40\u00aa Corrida Tiradentes, tradicional corrida de rua da Pol\u00edcia Militar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma prova pela qual tenho um grande carinho, oportunidade em que encontro companheiros de farda e amigos que fiz ao longo dessa jornada. \u00c9 um dia de conv\u00edvio e camaradagem. Cada desafio \u00e9 uma nova emo\u00e7\u00e3o e o que posso dizer \u00e9 que, por aqui, j\u00e1 estou pronto\u201d, garantiu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O militar busca mais um p\u00f3dio. Mas a principal vit\u00f3ria ele j\u00e1 conquistou h\u00e1 tempos: transformar a pr\u00f3pria hist\u00f3ria e ajudar outras pessoas a mudarem as delas.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Alagoas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruno \u00cdtalo coleciona medalhas, trof\u00e9us e p\u00f3dios, mas v\u00ea no legado que est\u00e1 deixando o maior motivo para celebra\u00e7\u00e3o O soldado Bruno \u00cdtalo Alves, do Batalh\u00e3o de Ronda Ostensiva T\u00e1tica Motorizada (Rotam), tornou-se refer\u00eancia na Pol\u00edcia Militar de Alagoas (PM-AL) quando o assunto \u00e9 esporte, especialmente corrida de rua. 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