
{"id":30962,"date":"2025-05-17T18:34:46","date_gmt":"2025-05-17T21:34:46","guid":{"rendered":"http:\/\/visaodealagoas.com.br\/home\/?p=30962"},"modified":"2025-05-17T18:34:46","modified_gmt":"2025-05-17T21:34:46","slug":"pesquisa-apoiada-pela-fapeal-transforma-subprodutos-da-cana-em-energia-limpa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/pesquisa-apoiada-pela-fapeal-transforma-subprodutos-da-cana-em-energia-limpa\/","title":{"rendered":"Pesquisa apoiada pela Fapeal transforma subprodutos da cana em energia limpa"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"text-black font-18 mt-0 pt-0\">Iniciativa do Programa Jovens Doutores viabiliza desenvolvimento de tecnologia automatizada com potencial de transformar a gest\u00e3o de excedentes industriais em Alagoas<\/h2>\n<p>Transformar o que antes era considerado um passivo ambiental em uma nova fonte de energia limpa, tem sido o objetivo de um projeto apoiado pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal). O estudo intitulado &#8220;Monitoramento autom\u00e1tico de reator anaer\u00f3bio cont\u00ednuo para codigest\u00e3o de vinha\u00e7a e mela\u00e7o e produ\u00e7\u00e3o de bio-hidrog\u00eanio&#8221;, foi conduzido pela bolsista Fernanda Peiter sob a coordena\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o do professor Eduardo Lucena, doutor em engenharia Hidr\u00e1ulica e saneamento. Ambos s\u00e3o da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estruturado a partir de recursos do Programa de Apoio \u00e0 Fixa\u00e7\u00e3o de Jovens Doutores no Brasil, o edital \u00e9 uma parceria entre o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) e a Fapeal, sendo, essa pesquisa em particular, desenvolvida no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Recursos H\u00eddricos e Saneamento (PPGRHS) da Ufal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Finalizado em fevereiro de 2025, o projeto investigou ao longo de dois anos o uso de subprodutos oriundos da ind\u00fastria sucroalcooleira \u2013 a vinha\u00e7a e o mela\u00e7o \u2013 como mat\u00e9ria-prima para produ\u00e7\u00e3o de bio-hidrog\u00eanio, utilizando um reator anaer\u00f3bio automatizado e monitorado em tempo real.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste trabalho a respons\u00e1vel pela implementa\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise, Fernanda Peiter, explicou que o objetivo era criar uma tecnologia eficiente e acess\u00edvel para o aproveitamento energ\u00e9tico desses materiais. \u201cA vinha\u00e7a \u00e9 um efluente de alto volume e com grande potencial poluidor. Quando conseguimos transform\u00e1-la em bioenergia, resolvemos dois problemas: o do descarte e o da gera\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica limpa\u201d, afirmou ela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo o coordenador do estudo, para cada litro de etanol produzido, s\u00e3o gerados de 12 a 14 litros de vinha\u00e7a. &#8220;Esse subproduto \u00e9 frequentemente utilizado para fertirriga\u00e7\u00e3o (aplica\u00e7\u00e3o de fertilizantes atrav\u00e9s da irriga\u00e7\u00e3o), mas seu uso excessivo pode comprometer o solo e at\u00e9 contaminar len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos. Nosso intuito foi propor um destino mais sustent\u00e1vel, usando a vinha\u00e7a como insumo para a produ\u00e7\u00e3o de bio-hidrog\u00eanio&#8221;, explicou Eduardo Lucena.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica utilizada por eles foi a digest\u00e3o anaer\u00f3bia, processo que ocorre na aus\u00eancia de oxig\u00eanio, com a atua\u00e7\u00e3o de microrganismos que decomp\u00f5em a mat\u00e9ria org\u00e2nica. &#8220;Esse m\u00e9todo gera g\u00e1s hidrog\u00eanio, etanol e \u00e1cidos que t\u00eam valor agregado para a ind\u00fastria. A codigest\u00e3o com mela\u00e7o permite melhorar o rendimento energ\u00e9tico, j\u00e1 que um dos substratos \u00e9 rico em nitrog\u00eanio e o outro em carboidratos&#8221;, detalhou o professor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Pesquisa inovadora com monitoramento automatizado<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Narrando os frutos do projeto, Fernanda Peiter explica que a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica dele est\u00e1 atrelada ao desenvolvimento de um sistema de monitoramento automatizado do reator, capaz de acompanhar vari\u00e1veis como temperatura, pH e concentra\u00e7\u00e3o de s\u00f3lidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO monitoramento automatizado foi essencial para tornar o processo mais eficiente e confi\u00e1vel. Normalmente, os dados desses reatores s\u00e3o coletados de forma manual, o que \u00e9 mais demorado e sujeito a falhas. Automatizando, conseguimos acompanhar o desempenho em tempo real, tomar decis\u00f5es mais r\u00e1pidas e otimizar a produ\u00e7\u00e3o de bio-hidrog\u00eanio\u201d, explicou a jovem doutora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ela acrescentou que, com esse m\u00e9todo, foi poss\u00edvel coletar uma quantidade consideravelmente maior de dados por experimento, o que tamb\u00e9m viabilizou o uso de ferramentas de intelig\u00eancia artificial e\u00a0machine learning\u00a0para modelar o sistema e prever cen\u00e1rios operacionais do reator.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Bioenergia e futuro sustent\u00e1vel<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, os estudiosos abordaram que o bio-hidrog\u00eanio \u00e9 considerado uma das fontes mais promissoras de energia limpa, com alto poder calor\u00edfico e emiss\u00e3o zero de carbono. \u201cEle possui tr\u00eas vezes mais energia que a gasolina e, ao ser queimado, emite apenas vapor d\u2019\u00e1gua. Isso faz dele um elemento importante na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica global&#8221;, pontuou Fernanda Peiter.<\/p>\n<p>Para o coordenador, embora o rendimento do bio-hidrog\u00eanio por digest\u00e3o anaer\u00f3bia ainda seja inferior ao do hidrog\u00eanio verde \u2013 produzido por eletr\u00f3lise da \u00e1gua \u2013, essa t\u00e9cnica possui mais vantagens por aproveitar res\u00edduos obrigat\u00f3rios de tratamento. \u201cSe j\u00e1 h\u00e1 uma obriga\u00e7\u00e3o legal e ambiental de tratar a vinha\u00e7a, por que n\u00e3o agregar valor a esse processo com a produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s energ\u00e9tico?\u201d, questionou ele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O professor destacou tamb\u00e9m que h\u00e1 espa\u00e7o para parcerias com o setor produtivo. \u201cJ\u00e1 existem usinas no estado que utilizam vinha\u00e7a para produ\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s. A ideia \u00e9 acoplar o sistema de produ\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio para enriquecer esse biog\u00e1s, formando o chamado biohitano, que tem maior poder de combust\u00e3o e pode ser usado em turbinas ou motores de gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica&#8221;, concluiu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Impacto local e apoio da Fapeal<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Durante a condu\u00e7\u00e3o da pesquisa, foram utilizadas as instala\u00e7\u00f5es e infraestrutura do Laborat\u00f3rio de Controle Ambiental (LCA) da Ufal, com apoio de estudantes da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. A mestranda Karla Machado foi uma das estudantes a integrar o projeto, participando dos ensaios experimentais e refor\u00e7ando a relev\u00e2ncia do trabalho colaborativo. &#8220;O projeto representa uma oportunidade de entender o funcionamento real de um reator e aprofundar os conhecimentos sobre par\u00e2metros como sulfato e sua interfer\u00eancia na a\u00e7\u00e3o dos microrganismos&#8221;, frisou ela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m prospecta impactos positivos para a pr\u00f3pria agroind\u00fastria regional. A vinha\u00e7a, ap\u00f3s passar pelo reator, mant\u00e9m seus nutrientes e pode continuar sendo utilizada como fertilizante, s\u00f3 que nesta etapa, com menor carga org\u00e2nica e menor risco de contamina\u00e7\u00e3o, como explicou a bolsista: \u201cProduzimos energia e, ao mesmo tempo, preservamos a fun\u00e7\u00e3o da vinha\u00e7a como biofertilizante. \u00c9 uma solu\u00e7\u00e3o dupla\u201d, completou Fernanda Peiter.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesta perspectiva, Eduardo Lucena abordou que o apoio da Funda\u00e7\u00e3o foi substancial no estudo, tanto para fortalecer a forma\u00e7\u00e3o de novos pesquisadores, como na consolida\u00e7\u00e3o do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Recursos H\u00eddricos e Saneamento da Ufal (PPGRHS). &#8220;A bolsa permitiu que a Fernanda se dedicasse integralmente \u00e0 pesquisa, atuando tamb\u00e9m na orienta\u00e7\u00e3o de alunos e na reda\u00e7\u00e3o de artigos cient\u00edficos. Com isso, conseguimos elevar o n\u00edvel da produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e dar suporte \u00e0 nossa primeira turma de doutorado&#8221;, afirmou ele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pesquisadora refor\u00e7a que a experi\u00eancia foi de fato transformadora: \u201cCom o incentivo da Fapeal, pude aprofundar minha linha de pesquisa e me aproximar ainda mais da realidade do setor produtivo alagoano. Os recursos se mostraram importantes, principalmente por se tratar de uma pesquisa experimental\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Agora, a cientista tem como meta seguir desenvolvendo pesquisas em colabora\u00e7\u00e3o com o PPGRHS, com o objetivo de fixar-se permanentemente em uma institui\u00e7\u00e3o de ensino superior. Com passagens por centros de excel\u00eancia como a Universidade de S\u00e3o Paulo e a Universidade de Oxford, Fernanda Peiter acredita na import\u00e2ncia de compartilhar esse conhecimento para contribuir com a forma\u00e7\u00e3o de novas gera\u00e7\u00f5es de pesquisadores em Alagoas, ampliando o legado de uma ci\u00eancia cada vez mais aplicada, acess\u00edvel e conectada aos desafios regionais.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Alagoas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Iniciativa do Programa Jovens Doutores viabiliza desenvolvimento de tecnologia automatizada com potencial de transformar a gest\u00e3o de excedentes industriais em Alagoas Transformar o que antes era considerado um passivo ambiental em uma nova fonte de energia limpa, tem sido o objetivo de um projeto apoiado pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de Alagoas &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":30963,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[41],"tags":[],"class_list":["post-30962","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30962","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30962"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30962\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31652,"href":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30962\/revisions\/31652"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30963"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30962"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30962"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30962"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}