
{"id":26680,"date":"2024-01-02T12:19:56","date_gmt":"2024-01-02T15:19:56","guid":{"rendered":"http:\/\/visaodealagoas.com.br\/home\/?p=26680"},"modified":"2024-02-02T14:34:37","modified_gmt":"2024-02-02T17:34:37","slug":"arquivo-publico-de-alagoas-ganha-acervo-do-professor-luiz-savio-de-almeida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/arquivo-publico-de-alagoas-ganha-acervo-do-professor-luiz-savio-de-almeida\/","title":{"rendered":"Arquivo P\u00fablico de Alagoas ganha acervo do professor Luiz S\u00e1vio de Almeida"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"text-black font-18 mt-0 pt-0\">Institui\u00e7\u00e3o completa 62 anos neste s\u00e1bado (30), recebendo de presente um dos maiores conjuntos de documentos do estado<\/h2>\n<p align=\"center\">O professor Luiz S\u00e1vio de Almeida encerrou sua palestra no Arquivo P\u00fablico de Alagoas (APA), no dia 21 de dezembro de 2021 \u2013 quando o estado vivia ainda sob a pandemia de Covid-19 \u2013, juntou as cinco p\u00e1ginas de papel A4 onde havia rabiscado de pr\u00f3prio punho o roteiro do que iria falar naquela noite e as entregou \u00e0 superintendente da institui\u00e7\u00e3o, Wilma N\u00f3brega. \u201cTome, eu quis lhe homenagear, mas voc\u00ea n\u00e3o deixou\u201d, disse, num misto de lamento e \u2018bronca&#8217;.<\/p>\n<p>Wilma N\u00f3brega tentou explicar ao professor que a ideia era falar sobre a import\u00e2ncia do Arquivo P\u00fablico para a preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria e hist\u00f3ria alagoanas, aproveitando o m\u00eas em que o equipamento faz anivers\u00e1rio, comemorado neste s\u00e1bado (30). S\u00e1vio de Almeida entendeu e decidiu abandonar o assunto que havia preparado \u2013 sobre o papel da mulher na hist\u00f3ria de Alagoas \u2013 para se dedicar ao APA.<\/p>\n<p>Era a 40\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Ch\u00e1 de Mem\u00f3ria, projeto que visa a dinamiza\u00e7\u00e3o do Arquivo P\u00fablico com a realiza\u00e7\u00e3o mensal de palestras, mesas redondas e debates sobre os mais variados temas envolvendo pesquisadores, historiadores e a sociedade alagoana. Naquela noite, al\u00e9m de S\u00e1vio de Almeida, participaram do evento o ent\u00e3o secret\u00e1rio de Estado da Comunica\u00e7\u00e3o, \u00canio Lins, e a pr\u00f3pria Wilma N\u00f3brega.<\/p>\n<p>\u201cO tema foi a preserva\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o do acervo p\u00fablico e as viv\u00eancias pessoais dos palestrantes naquele centro de pesquisa\u201d, relembrou \u00canio Lins. \u201cNem me lembro do que falei, pois toda minha aten\u00e7\u00e3o estava voltada a mais uma aula que receberia de S\u00e1vio de Almeida\u201d, completou.<\/p>\n<p>A \u2018bronca\u2019 dada em Wilma N\u00f3brega n\u00e3o passava de uma forma carinhosa com que S\u00e1vio de Almeida costumava tratar as pessoas com quem convivia \u2013 de estudante a pesquisador. \u201cArejar e inovar no ambiente intelectual sempre foi uma preocupa\u00e7\u00e3o de S\u00e1vio de Almeida, um verdadeiro ca\u00e7ador de novos talentos, pessoas a quem dedicava tempo precioso na orienta\u00e7\u00e3o, no est\u00edmulo cotidiano, provocando estudos e pesquisas em todas as \u00e1reas\u201d, enfatiza \u00canio Lins.<\/p>\n<p>Ele lembra que o Arquivo P\u00fablico de Alagoas sempre foi uma das preocupa\u00e7\u00f5es de S\u00e1vio de Almeida. Segundo o ex-secret\u00e1rio, sua parceria com a institui\u00e7\u00e3o vem desde a \u00e9poca de cria\u00e7\u00e3o do APA, ainda no comecinho dos anos 1960, quando o professor Moacir Medeiros de Santana moveu mundos e fundos para fundar a \u201creparti\u00e7\u00e3o\u201d, como se falava antigamente.<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, ainda em vida, S\u00e1vio de Almeida \u2013 falecido no dia 10 de fevereiro de 2023, aos 80 anos \u2013 decidiu doar para o Arquivo P\u00fablico todo o seu acervo pessoal, composto de mais de 10 mil documentos, entre itens pessoais, manuscritos de livros, teses de doutorado, disserta\u00e7\u00f5es de mestrados, pesquisas ind\u00edgenas e com religi\u00f5es de matrizes africanas. A rela\u00e7\u00e3o completa de documentos pode ser conferida no site do APA (<a href=\"http:\/\/www.arquivopublico.al.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.arquivopublico.al.gov.br<\/a>).<\/p>\n<p>O \u00fanico pedido do professor foi de que o acervo n\u00e3o se separasse \u2013 ou seja, n\u00e3o fosse espalhado por institui\u00e7\u00f5es diferentes \u2013 e que recebesse o t\u00edtulo de Cole\u00e7\u00e3o S\u00e1vio de Almeida, no que Wilma N\u00f3brega concordou de pronto, por achar muito justo. \u201cGanhamos o maior presente\u201d, comemorou a superintendente do APA.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o para o repasse do conjunto de documentos envolveu Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan), Funda\u00e7\u00e3o Universit\u00e1ria de Desenvolvimento de Extens\u00e3o e Pesquisa (Fundepes) e o pr\u00f3prio Arquivo P\u00fablico. Comandado pelo professor Danilo Marques, coordenador geral do N\u00facleo de Estudos Afro-brasileiros e Ind\u00edgenas (Neabi) da Ufal, o trabalho de cataloga\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio em 2022 e se estendeu por um ano e meio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo o chefe\u00a0substituto de Divis\u00e3o\u00a0 do Iphan, Maicon Fernando Marcante, toda a proposta de cataloga\u00e7\u00e3o do acervo, que foi encaminhado pelo pr\u00f3prio S\u00e1vio de Almeida ao instituto, h\u00e1 cinco anos, foi constru\u00edda em di\u00e1logo com o professor. \u201cA gente entendeu que a documenta\u00e7\u00e3o deveria ficar no Arquivo P\u00fablico, n\u00e3o s\u00f3 pela quest\u00e3o de conserva\u00e7\u00e3o, mas pela disponibilidade dela, para torn\u00e1-la p\u00fablica para pesquisa\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Depois de fazer todo o alinhamento das a\u00e7\u00f5es de cataloga\u00e7\u00e3o, Maicon Marcante passou os trabalhos de separa\u00e7\u00e3o de documentos para o pesquisador Lucas Paranhos Netto Bernardes, da Fundepes. Ao lado de bolsistas do Neabi, ele dividiu o acervo em 16 s\u00e9ries \u2013 doc\u00eancia, documentos pessoais, peri\u00f3dicos, teses, disserta\u00e7\u00f5es, monografias, entre outras \u2013 e subs\u00e9ries. \u201c\u00c9 um acervo riqu\u00edssimo, provavelmente o maior material etnogr\u00e1fico de Alagoas\u201d, defendeu Lucas.<\/p>\n<p>Ele conta que h\u00e1 mais de 300 fitas cassetes com entrevistas feitas pelo professor S\u00e1vio de Almeida com l\u00edderes de povos ind\u00edgenas de comunidades como Kariri-Xoc\u00f3 (Porto Real do Col\u00e9gio), Xucuru-Kariri (Palmeira dos \u00cdndios) e Kalank\u00f3 (\u00c1gua Branca), entre outras, al\u00e9m de depoimentos em \u00e1udio de lideran\u00e7as de religi\u00e3o de matriz africana. \u201cEsses registros de \u00e1udio s\u00e3o muito relevantes para pensar a hist\u00f3ria recente, a mem\u00f3ria dos povos ind\u00edgenas de Alagoas e dos povos de religi\u00e3o de matriz africana\u201d, destacou Maicon.<\/p>\n<p>\u201cLuiz S\u00e1vio de Almeida foi um dos mais expressivos e mais prol\u00edficos intelectuais de Alagoas, e possuidor de uma grande qualidade: investir em mentes mais jovens no caminho acad\u00eamico. E em seus arquivos pessoais se preservam acervos important\u00edssimos sobre suas pr\u00f3prias pesquisas e sobre os estudos das mentes brilhantes que o tiveram como mestre o orientador ao longo de quase meio s\u00e9culo\u201d, emendou \u00canio Lins.<\/p>\n<p>Autor teatral \u2013 escreveu pe\u00e7as de sucesso como A Farinhada (1998) e A Igreja Verde (1998) \u2013, S\u00e1vio de Almeida dedicou um bom tempo de pesquisa sobre a dama do teatro alagoano Linda Mascarenhas, que ganhou uma s\u00e9rie especial no acervo que chega ao Arquivo P\u00fablico. \u201cS\u00e3o documentos raros, com objetos pessoais, fotografias e correspond\u00eancia da atriz\u201d, contou Lucas.<\/p>\n<p>A superintendente do Arquivo P\u00fablico ressaltou que, a partir de agora, qualquer pessoa pode ter acesso \u00e0 Cole\u00e7\u00e3o Professor S\u00e1vio de Almeida. Basta, para isso, se cadastrar como pesquisador no site da institui\u00e7\u00e3o, selecionar a s\u00e9rie documental de seu interesse e mandar um e-mail para\u00a0<a href=\"mailto:alarquivopublico@gmail.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">alarquivopublico@gmail.com<\/a>. Quem preferir, pode ligar para o 3315-7879 e agendar visita.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia do que representa o acervo de Luiz S\u00e1vio de Almeida, quando a equipe envolvida na cataloga\u00e7\u00e3o foi depositar o material no Arquivo P\u00fablico, Lucas Bernardes ficou por algum tempo contemplando o material nas estantes da institui\u00e7\u00e3o.\u00a0\u201cFiquei olhando sem querer me despedir. Quando voc\u00ea pega a documenta\u00e7\u00e3o, em princ\u00edpio voc\u00ea n\u00e3o conhece, mesmo sabendo quem \u00e9 o professor S\u00e1vio de Almeida. No final, voc\u00ea come\u00e7a a entender a biografia, as linhas de pesquisas. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de intimidade\u201d, lembrou.<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente, ele n\u00e3o est\u00e1 mais entre n\u00f3s para participar do semin\u00e1rio que n\u00f3s vamos fazer sobre o acervo [dele]. \u00c9 uma pena ele n\u00e3o poder estar nesta entrevista aqui, mas a gente est\u00e1 dando continuidade ao desejo dele\u201d, emendou Maicon Marcantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele estava. Impregnando de mem\u00f3rias o imenso v\u00e3o do Arquivo P\u00fablico de Alagoas.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Alagoas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Institui\u00e7\u00e3o completa 62 anos neste s\u00e1bado (30), recebendo de presente um dos maiores conjuntos de documentos do estado O professor Luiz S\u00e1vio de Almeida encerrou sua palestra no Arquivo P\u00fablico de Alagoas (APA), no dia 21 de dezembro de 2021 \u2013 quando o estado vivia ainda sob a pandemia de Covid-19 \u2013, juntou as cinco &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":26681,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-26680","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26680","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26680"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26680\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26681"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26680"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26680"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/visaodealagoas.com.br\/inicio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26680"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}